Sobre o som velho, moderno, o que arrepia e o assim assim bem como os outros todos

THE BELLY OF AN ARCHITECT

 

Quando estudava em Lisboa tinha por hábito ir à Fnac ouvir música.  Geralmente ficava-me pela parte do rock alternativo, mas depois comecei timidamente a aventurar-me por outras sonoridades, que para mim ainda eram mais alternativas; comecei a entrar na zona do jazz e da música clássica.  Não dei muita continuidade à coisa, mas ainda me lembro, como se fosse hoje, do dia em que coloquei os auscultadores de um senhor chamado Wim Mertens. Era um final de tarde de Inverno chuvoso e lá fora, já de noite, pela janela que ficava em frente, via-se a chuva e as luzes da Baixa pombalina. Carreguei no play, e tive um dos momentos mais raros e poderosos que vivi. É como se começasse a levitar, como se tivesse sido agraciado. Foi tão intenso que ainda me lembro, embora a experiência seja     irrepetível e não recorde senão o seu efeito e não a vivência in loco. Obviamente, que comprei o cd. Depois andei a vaguear por Lisboa muitas e muitas vezes com o Wim Mertens nos ouvidos e acreditem que pode mudar a percepão de como olhamos e vemos as coisas. A realidade nunca mais foi a mesma. Pelo menos, para mim. Aqui fica um videoclip da música que data de 1982, precisamente o ano em que nasci.

 

Às vezes penso que o nosso cérebro tem uma potencialidade enorme, mas por muitas e variadas razões, algumas partes dele estão adormecidas e nunca foram acordadas. A música pode ter esse efeito "despertador" e de desbloqueamento de canais do cérebro, que até então jaziam num sono profundo. É como se gánhassemos mais sentidos. É como provar um novo prato e haver ali qualquer coisa que ainda não se tinha saboreado e nos fascinou.

 

E agora pergunto: o que faz com que o nosso cérebro goste de uma música e não de outra ? porque prefere x em detrimento de y ? obviamente que falo, apenas e só, em termos sonoros e não das letras das canções, embora até seja possível prolongar isto até as vozes dos intérpretes, mas não as letras que cada um interpreta e dá o sentido que quer. Dito de outra forma, porque é que o som de Wim Mertens me «afecta» (no sentido de afeição, de afectividade) o cérebro? É como se se activasse todos os canais entre si que ligam o cérebro (é um exagero, mas reforça a ideia que quero transmitir).   Que processo é este que é desencadeado? As sensações são prazenteiras, e isso é o mais importante. Mas que necessidade é esta de haver sempre um «mas»? Bem já me perdi.

publicado por JC às 16:57 | link do post
música: wim mertens - Struggle for Pleasure
Obrigado.

Ao ler o artigo lembrei-me que é preciso quebrar essas barreiras mentais que nos assustam quando lemos «música erudita», ou no caso dos eruditos restringirem-se à música clássica. Como sou curioso e o apelo do desconhecido me fascina, talvez tenha sido precisamente isso que me tenha levado à zona de música clássica e jazz.( E também à filosofia, já agora.) Ampliar o nosso campo de visão em todos os sentidos sempre me pareceu uma boa política. Ficar restringido a um estilo de música parece-me redutor, por isso tenho dificuldade em aceitar quando alguém me diz que só gosta de um determinado género musical. É como se construísse um casulo só para mim, e lá ficasse «ad eternum« e me rejeitasse a olhar para fora do que já conheço.É uma segurança, é certo. Seria como dizer que o filme x não é bom , porque não é de acção (assumindo que só gosto de filmes de acção). Não me parece que seja uma atitude muito sensata e verdadeira, mas cada um funciona conforme os seus padrões. Não é que eu seja grande fã de música clássica, nem nada que se lhe pareça, porque não fui «treinado» para isso. Não tive formação musical que me permitisse desenvolver o gosto por tal, mas não deixo é de experimentar ouvir novas coisas. E os nomes às vezes assustam, tal como «música erudita» a mim me assusta. Logo à partida sinto-me excluído, como se não fizesse parte desse mundo. Este caso é para mim um exemplo das tais «barreiras mentais» que é preciso mandar abaixo. Dito de outra forma, é preciso perder a vergonha e arriscar, tentar a sorte. Ter um pouco de disponibilidade e propor-me a ouvir um bocado disto e um bocado daquilo. Sempre esta procura, mas não deixar de o tentar. Perder o respeito aos nomes que parecem monstros mentais que nos excluem de partilhar obras de homens e mulheres como nós.

Isto foi só um aparte, mas achei oportuno. O texto fornece informação útil e de forma acessível. thanks

Boa dica, vou ver se arranjo isso.
JC a 11 de Outubro de 2008 às 04:22
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